Estive em mais uma sessão de cinema nessa segunda, dessa vez a convite da produção de ‘De Pernas pro Ar’, protagonizado por Ingrid Guimarães e co-estrelado por Maria Paula.
Trabalhe muito e viva pouco
Sabem as publicações e palestras de auto-ajuda, que falam sempre o que já conhecemos mas nos esquecemos de levar adiante? Pois é, o filme não foge muito disso…
Como uma workaholic não-assumida, Alice, personagem de Ingrid, não conhece os gostos do próprio filho e mal se lembra do rosto do marido João (Bruno Garcia). Depois de um revés no casamento e a perda do emprego no mesmo dia, imaginem no que se transforma sua vida. O melhor são as caras, bocas e encrencas em que se mete a eterna parceira de Cócegas de Heloísa Périssé.
Não tenho certeza se me constrangi diante de tanta desgraça feminina numa só pessoa, mas é que apesar de engraçadas as situações, a mulherada presente pareceu muito mais à vontade – pra não dizer identificada – com aquilo vivido por Alice.
A classificação etária é de 14 anos, de mentes bem abertas, penso eu, e a estreia oficial será dia 31 de dezembro.
Mesmo distante anos-luz do quanto Brüno, de Sacha Baron Cohen, é explícito, não sei vocês, mas não sei se assistiria ao filme na sala de casa. =P
'Amor por Acaso', de Marcio Garcia, tem no elenco Dean Cain e Juliana Paes
E aí, povo?
Estive na noite chuvosa de segunda no Playarte do Shopping Center 3 para assistir à pré-estreia de ‘Amor por acaso’ (Bed and breakfast), filme que marca a estreia do ator e apresentador Marcio Garcia na produção e direção de cinema.
Meia brasileira e meia americana
A comédia romântica estrelada por Juliana Paes e Dean Cain (o Super Homem do seriado Lois & Clark, lembram?) tem pouco romance e pouca comédia. A plateia parece ter concordado comigo, inclusive na cena – ligeiramente – mais engraçada: quando Victor, advogado e amigo de Ana (Juliana Paes), personagem de Julian Stone, decide sair para fazer ginástica.
O longa se passa principalmente nos Estados Unidos, na cidadezinha de Webster, interior da Califórnia. Nem por isso o Brasil é retratado só como morro ou só como bunda (a não ser a da protagonista). Apesar de haver uma única cena filmada na praia, em sua maioria o Rio de Janeiro aparece como uma cidade grande, com trânsito normal e onde as pessoas trabalham em lojas de departamentos. Já é alguma coisa, né?
Herança noveleira
Reconheço o empenho do estreante diretor e produtor. As tomadas são belas e a trilha sonora gostosa, por isso acho que ‘tecnicamente’, embora não seja nenhum especialista, o longa é bonito e, no geral, bem feito. E digo ‘no geral’ pois o acréscimo que verão ao final, se não foi imposição do patrocinador, foi a maior babação de ovo em forma de merchan que já vi no cinema.
A avaliação da trama e do roteiro fica por sua conta, leitor, que terá de esperar um pouco mais. A estreia de ‘Amor por acaso‘ foi adiada para 10 de dezembro e anunciada por Marcio Garcia em seu twitter na própria segunda, 22.
{}’s e []‘s!
PS: Meu muito obrigado ao Walmart por ter convidado a Lidi, que me convidou pra lhe fazer companhia. \o/
Sonata de Tóquio (Tokyo Sonata), nosso primeiro filme lá =)
Uma notícia publicada hoje na Folha Online me deixou bastante preocupado: ela trata do futuro incerto das salas de cinema que, até março, eram conhecidas por HSBC Belas Artes, na rua da Consolação, em São Paulo.
“Se a gente não conseguir um patrocínio até julho, fecho o cinema até o final do ano”
André Sturm, sócio do Belas Artes
Conheci o Belas Artes com a Lidi, onde assistimos alguns dos filmes que hoje considero os melhores que já vi. Foi muita coisa boa: Sonata de Tóquio, Gran Torino, A Partida…
É triste pensar que o cenário destas grandes noites pode estar com os dias contados por dificuldades em encontrar um novo patrocinador.
Com roteiro de Luiz Bolognesi e direção de Laís Bodanzky, o filme conta a história de Mano, molecote de 15 anos da classe média paulistana. Esse, aliás, foi um dos pontos com que mais me identifiquei. Filmes rodados em São Paulo não são a maioria. Que mostra uma ‘realidade urbana’ da vida também não.
Fiuk e Francisco Miguez fazem parte do jovem elenco
O teor sexual está lá – daí a censura 14 anos que a Lidi ainda considerou pouco. =P Mesmo assim ‘As Melhores Coisas do Mundo‘ não descamba pras mazelas, não explora as desgraças, não é de época… É tudo anos 2000 mesmo.
Apesar de ter vivido minha aborrescência na década passada (a de 1990 é retrasada?), inevitavelmente fiz minhas conexões com o que a película retrata. Isso graças à inspiração na série de livros ‘Mano‘, escritos por Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto, uma dupla que realmente entende do universo jovem.
Digna de nota a estratégia de pré-lançamento que priorizou a interação com esse público e utilizou a internet para que pudessem escolher desde o título do filme até o cartaz de divulgação. Outro destaque fica por conta da trilha sonora gostosa que fica em loop no hotsite – e não estou sendo irônico.
Francisco Miguez, intérprete de Mano, e a diretora Laís Bodanzy no 14º CinePE
Embora co-estrelado pelos globais Caio Blat, Paulo Vilhena, Zé Carlos Machado e participação especial de Denise Fraga, são os novatos que ‘mandam’ no filme. Fiuk, o filho do cantor Fábio Jr., Gabriela Rocha e Francisco Miguez, intérprete do protagonista Mano, roubam a cena e fazem com que as demais estrelas orbitem em torno deles, sem que nada pareça forçado.
Se você torce o nariz pros títulos que não fazem a linha blockbuster, considere este ótimo filme com distribuição Warner, que entrou em circuito nacional no último dia 16.
‘As Melhores Coisas do Mundo‘ sagrou-se neste domingo o grande vencedor do 14º CinePE, de Recife, levando nada menos que 8 premiações. Entre as categorias estão as de melhor filme, melhor direção e melhor ator para Francisco Miguez.
Fotografia bonita e produção bem feita. À primeira vista, são os predicados que nos saltam aos olhos neste filme do diretor João Daniel Tikhomiroff. Mas ele vai além.
Besouro: nasce um heroi é o filme de uma história, de um povo, de uma religião e até de ação. Mas, sobretudo, um filme sobre uma cultura.
O brasileiro, que é mestre em renegar seu passado – e generalizo sim -, evita se abrir para a realidade a qual o filme se propõe a contar em sua essência. Vide parte do tratamento miserável dispensado à manutenção do rico patrimônio histórico e cultural do país.
Menos reacionismo e mais Besouro, o filme
Adeptos e simpatizantes da capoeira, ou praticantes do candomblé firmarão laços de imediata identificação. Besouro trata da vida de Manoel Henrique Pereira, capoeirista baiano que morreu jovem e cercado de mistérios que, ao longo do tempo, se transformaram em verdadeiras lendas.
Suas fugas impensáveis após embates com inimigos, lhe garantiu a alcunha do bicho que, mesmo não tendo sido ‘feito para voar’, ‘avoava’.
Naquele início de século XX, pouco havia mudado na disparidade social entre os senhores de engenho e a população negra, cuja escravatura já havia sido abolida há praticamente 30 anos. Besouro foi um importante personagem da época e um pouco de sua importância histórica é contada agora.
Se por um lado a proximidade com a religião afro-brasileira atrai, por outro pode causar sentimento inverso. O culto dos orixás, pra mim, é super normal, porém, não deixa de ser tratado com as devidas sutilezas metafóricas e muito respeito pelo diretor.
Still de divulgação de Besouro: nasce um heroi
Os maiores destaques da divulgação do longa ficam por conta de sua inscrição para concorrer à indicação do Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro e, certamente, pelas coreografias de ação assinadas por Huen Chiu Ku, responsável técnico também em ‘O Tigre e o Dragão’.
Tirando a fantasia em torno do mito de seus ‘voos’, não há nada assim tão espalhafatoso, fazendo com que as tomadas prendam a atenção pela verossimilhança dos movimentos.
Como adiantei no começo, a fotografia é bastante caprichada. O tom de cores é envolvente e as locações, cenografias e figurinos convencem, mas confesso que a tomada do começo me deixou [mais] tonto.
Jessica Barbosa, caraterizada como Iansã, que também interpreta Dinorah
Embora seja uma produção Globo Filmes (entre outras), não espere por ver Mateus Nachtergaele e nem Selton Mello em cena. O elenco é praticamente desconhecido do grande público, o que torna os breves momentos engraçados tão ricos quanto improváveis.
Porque fui assistir ao filme
Assisti a essa recente estreia do cinema nacional com a Lidi e dezenas de blogueiros a convite da Media Contacts, que atende à rede Cinemark.
Em 2009 se comemora o décimo aniversário do Projeta Brasil Cinemark, que exibirá na próxima segunda-feira, 9, apenas filmes nacionais em todas as suas salas a R$ 2,00 a sessão, com renda integralmente revertida para o fomento do cinema brasileiro.