Besouro, o filme – minhas impressões

// às 3h54 de quarta-feira, 4 de novembro de 2009 // Campanhas, Cinema, Devaneios

Poster oficial de Besouro: nasce um heroi

Poster oficial de Besouro: nasce um heroi

Fotografia bonita e produção bem feita. À primeira vista, são os predicados que nos saltam aos olhos neste filme do diretor João Daniel Tikhomiroff. Mas ele vai além.

Besouro: nasce um heroi é o filme de uma história, de um povo, de uma religião e até de ação. Mas, sobretudo, um filme sobre uma cultura.

O brasileiro, que é mestre em renegar seu passado – e generalizo sim -, evita se abrir para a realidade a qual o filme se propõe a contar em sua essência. Vide parte do tratamento miserável dispensado à manutenção do rico patrimônio histórico e cultural do país.

Menos reacionismo e mais Besouro, o filme

Adeptos e simpatizantes da capoeira, ou praticantes do candomblé firmarão laços de imediata identificação. Besouro trata da vida de Manoel Henrique Pereira, capoeirista baiano que morreu jovem e cercado de mistérios que, ao longo do tempo, se transformaram em verdadeiras lendas.

Suas fugas impensáveis após embates com inimigos, lhe garantiu a alcunha do bicho que, mesmo não tendo sido ‘feito para voar’, ‘avoava’.

Naquele início de século XX, pouco havia mudado na disparidade social entre os senhores de engenho e a população negra, cuja escravatura já havia sido abolida há praticamente 30 anos. Besouro foi um importante personagem da época e um pouco de sua importância histórica é contada agora.

Se por um lado a proximidade com a religião afro-brasileira atrai, por outro pode causar sentimento inverso. O culto dos orixás, pra mim, é super normal, porém, não deixa de ser tratado com as devidas sutilezas metafóricas e muito respeito pelo diretor.

Still de divulgação de Besouro: nasce um heroi

Still de divulgação de Besouro: nasce um heroi

Os maiores destaques da divulgação do longa ficam por conta de sua inscrição para concorrer à indicação do Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro e, certamente, pelas coreografias de ação assinadas por Huen Chiu Ku, responsável técnico também em ‘O Tigre e o Dragão’.

Tirando a fantasia em torno do mito de seus ‘voos’, não há nada assim tão espalhafatoso, fazendo com que as tomadas prendam a atenção pela verossimilhança dos movimentos.

Como adiantei no começo, a fotografia é bastante caprichada. O tom de cores é envolvente e as locações, cenografias e figurinos convencem, mas confesso que a tomada do começo me deixou [mais] tonto.

Jessica Barbosa, caraterizada como Iansã, que também interpreta Dinorah

Jessica Barbosa, caraterizada como Iansã, que também interpreta Dinorah

Embora seja uma produção Globo Filmes (entre outras), não espere por ver Mateus Nachtergaele e nem Selton Mello em cena. O elenco é praticamente desconhecido do grande público, o que torna os breves momentos engraçados tão ricos quanto improváveis.

Porque fui assistir ao filme

Assisti a essa recente estreia do cinema nacional com a Lidi e dezenas de blogueiros a convite da Media Contacts, que atende à rede Cinemark.

Em 2009 se comemora o décimo aniversário do Projeta Brasil Cinemark, que exibirá na próxima segunda-feira, 9, apenas filmes nacionais em todas as suas salas a R$ 2,00 a sessão, com renda integralmente revertida para o fomento do cinema brasileiro.

Bom pra gente e bom pra cultura. =)

Assista ao trailer de Besouro, o filme:

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3 comentários to “Besouro, o filme – minhas impressões”

  1. Cansado, mas meu post sobre #besouro tinha que sair antes de dormir: http://migre.me/aE0S =)

  2. [...] This post was mentioned on Twitter by Leonardo A. Matsuda, Leonardo A. Matsuda. Leonardo A. Matsuda said: Cansado, mas meu post sobre #besouro tinha que sair antes de dormir: http://migre.me/aE0S =) [...]

  3. Rt @poperotico : Cansado, mas meu post sobre #besouro tinha que sair antes de dormir: http://migre.me/aE0S =)

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